Avaliação funcional além do teste Timed Up and Go: o que ele não mostra

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Saiba tudo sobre o teste Timed Up and Go: do protocolo de aplicação às tabelas de referência para idosos. Descubra o que o tempo total não mostra e como a análise de subfases e smartphones elevam o padrão de segurança na reabilitação funcional.

Desenvolvido em 1991 por Diane Podsiadlo e Sandra Richardson, o teste Timed Up and Go – também conhecido somente como TUG – é um dos instrumentos clínicos mais ágeis e eficazes para a avaliação da mobilidade funcional e do equilíbrio dinâmico.

Projetado para oferecer uma métrica quantitativa da capacidade de locomoção, o teste se tornou uma ferramenta indispensável na prática de fisioterapeutas e profissionais da geriatria para identificar o risco de quedas, permitindo a implementação de intervenções preventivas e o monitoramento preciso da recuperação funcional em diversos contextos clínicos.

Embora a aplicação atenda pacientes com diferentes condições motoras, o teste Timed Up and Go encontra sua maior validação na população idosa, onde a perda da reserva funcional impacta diretamente a autonomia. O teste mensura o tempo que o indivíduo leva para se levantar de uma cadeira, caminhar três metros, girar, retornar e se sentar novamente. 

Neste artigo, falaremos sobre as nuances biomecânicas que compõem o teste Timed Up and Go e como a inovação tecnológica está redefinindo a predição de quedas futuras, além de como a análise de subfases, como a transição sentar para levantar e a estabilidade angular durante o giro, oferece um diagnóstico muito mais sensível do que a medição isolada do tempo. Continue a leitura!

Os 3 fundamentos biomecânicos do teste Timed Up and Go

O sucesso do teste Timed Up and Go reside na sua capacidade de simular as demandas biomecânicas do cotidiano em um único circuito. Para que o paciente complete o percurso com eficiência, ele deve integrar múltiplos sistemas fisiológicos:

  • Força de membros inferiores: exigida primordialmente no momento de levantar-se e sentar-se da cadeira (fases de transferência).
  • Controle postural e equilíbrio dinâmico: testados durante a marcha de três metros e, especialmente, na fase de contorno do marcador.
  • Coordenação e agilidade: fundamentais para a desaceleração, o giro e a re-aceleração sem perda de estabilidade.

Geralmente, um tempo inferior a 10 segundos indica independência total enquanto tempos superiores a 13.5 ou 14 segundos (dependendo da referência bibliográfica utilizada) sinalizam um risco aumentado de quedas. A ciência moderna nos mostra, porém, que o risco pode estar oculto em detalhes que o olho humano não consegue quantificar sem auxílio, como veremos a seguir.

A revolução dos smartphones: O iTUG e a análise de subfases

Até recentemente, apenas o tempo total do TUG era registrado. A integração de smartphones na prática clínica, utilizando aplicativos que acessam os acelerômetros e giroscópios do dispositivo, deu origem ao TUG instrumentalizado. Essa tecnologia permite analisar a capacidade de predição de quedas sob uma nova ótica:

  1. Transição sentar-para-levantar: Mede a potência muscular e a estabilidade inicial do tronco.
  2. Qualidade da marcha: Analisa a cadência e a variabilidade do passo, preditores diretos de instabilidade.
  3. Cinemática do giro: Idosos com maior risco de queda tendem a realizar o giro de forma mais lenta e com maior oscilação mediolateral, detalhes capturados com precisão cirúrgica por sensores digitais.

Essa decomposição permite que o profissional identifique se a fragilidade do paciente é de origem muscular, vestibular ou cognitiva, direcionando o tratamento de forma personalizada.

Como aplicar o teste Timed Up and Go na prática? 

Para garantir a excelência clínica, a aplicação do teste Timed Up and Go deve seguir um rigoroso protocolo de padronização, transformando uma tarefa simples em um procedimento diagnóstico de alta precisão.

A organização do teste se divide em três pilares fundamentais: a preparação do cenário, a execução técnica e a análise das subfases motoras.

Preparação e padronização do ambiente

A autenticidade dos resultados começa no controle das variáveis externas. É recomendado que o avaliador utilize uma cadeira com altura de assento de aproximadamente 46 cm, posicionando um marcador (cone ou fita) a exatamente três metros de distância, medidos a partir dos pés frontais da cadeira. 

O paciente também deve utilizar seu calçado habitual e, caso faça uso de dispositivos auxiliares de marcha, como bengalas ou andadores, estes devem ser mantidos durante a execução, com a devida anotação no registro clínico.

O comando verbal deve ser padronizado e neutro: “Ao sinal de ‘já’, se levante, caminhe até a marca em seu ritmo habitual, contorne-a, retorne e se sente novamente”.

A tabela a seguir correlaciona o tempo total de execução com o perfil funcional e o risco iminente de quedas e pode servir como base para o seu prognóstico.

Tempo Total (segundos)Classificação FuncionalRisco de QuedasIntervenção Recomendada
< 10sIndependência totalBaixoManutenção preventiva e atividade física.
11 – 20sIndependência parcialModeradoTreino de equilíbrio e força específica.
> 20sDeficiência funcionalAltoIntervenção fisioterapêutica intensiva.
> 30sDependência severaMuito AltoAdaptação ambiental e auxílio constante.

Em casos onde o paciente apresenta mobilidade severamente reduzida (tempos acima de 30s), a atenção deve ser redobrada para outros riscos de saúde. Confira também nosso artigo sobre a Escala de Braden e aprenda a prevenir lesões por pressão em pacientes com alta dependência funcional.

Execução técnica e cronometragem

A precisão do tempo total do TUG  depende do rigor do avaliador no manejo do cronômetro. O registro deve ser iniciado no exato momento em que o paciente inclina o tronco para frente para iniciar a fase de levantamento e interrompido apenas quando os glúteos tocarem o assento da cadeira ao final do percurso. 

Em contextos de pesquisa ou alta performance diagnóstica, recomenda-se o uso de smartphones fixados na região lombar (L3-L4). Através de acelerômetros integrados, o profissional consegue decompor o tempo total em frações cinemáticas, identificando atrasos específicos na fase de giro ou na transferência de peso, que muitas vezes são imperceptíveis ao cronômetro manual.

Ao aplicar o teste Timed Up and Go, utilize esta estrutura para identificar onde reside o déficit biomecânico do paciente. A falha em pontos específicos orienta a personalização da reabilitação.

Fase do TesteO que observar (Sinais de Alerta)Possível Déficit Subjacente
LevantarMúltiplas tentativas; uso excessivo dos braços.Fraqueza de quadríceps / Falta de potência.
Marcha (3m)Passos curtos; arrasto dos pés; base alargada.Instabilidade postural / Déficit proprioceptivo.
Giro (180°)Passos decompostos; perda de equilíbrio lateral.Disfunção vestibular ou coordenação motora.
SentarFalta de controle (desabar); erro de mira.Déficit de controle excêntrico e visão.

Análise funcional e tomada de decisão

Mais do que o valor numérico final, a aplicação correta exige uma observação qualitativa das subfases do movimento. Um tempo superior a 13.5 segundos em idosos da comunidade é o ponto de corte clássico para alto risco de quedas, mas o clínico deve estar atento a sinais de instabilidade, como a necessidade de apoio excessivo nos braços para levantar, hesitação no passo (marcha congelada) ou um giro realizado com múltiplos passos pequenos em vez de um movimento fluido. 

Esta análise integrada permite que o profissional não apenas identifique o risco, mas compreenda a deficiência biomecânica subjacente, seja ela força, equilíbrio ou coordenação, elevando o padrão da prescrição terapêutica e garantindo uma intervenção preventiva verdadeiramente eficaz.

Para profissionais que buscam o mais alto nível de autoridade diagnóstica, a análise via sensores inerciais (presentes em smartphones) oferece dados que o cronômetro manual ignora:

Variável TecnológicaBenefício Clínico
Velocidade AngularMede a precisão e estabilidade do giro com precisão em graus/segundo.
Aceleração VerticalQuantifica a força explosiva no momento de levantar-se da cadeira.
Simetria do PassoIdentifica discrepâncias sutis entre o lado direito e esquerdo da marcha.

Para uma visão ainda mais completa da estabilidade do seu paciente, recomendamos a leitura do nosso guia sobre a Escala de Equilíbrio de Berg. Enquanto o TUG foca na locomoção, a Escala de Berg oferece um mapeamento detalhado de 14 itens essenciais para o dia a dia.

O que o teste Timed Up and Go não mostra 

Embora o teste Timed Up and Go seja um pilar na avaliação da mobilidade funcional, sua hegemonia clínica muitas vezes oculta limitações diagnósticas cruciais. Para o profissional que busca a excelência e a autoridade no diagnóstico, é imperativo compreender que o tempo total registrado no cronômetro é um dado agregado, capaz de sinalizar um problema, mas frequentemente incapaz de isolar sua causa.

Abaixo, exploramos as nuances biomecânicas e clínicas que o TUG convencional falha em revelar.

1. Compensações ocultas

O maior ponto cego do teste Timed Up and Go é a sua incapacidade de distinguir entre eficiência motora e compensação patológica. Dois idosos podem registrar exatamente 11 segundos, porém:

  • O primeiro pode apresentar uma marcha rápida, mas uma instabilidade severa e risco de queda durante o giro.
  • O segundo pode ter um giro estável, mas uma lentidão excessiva no levantar devido à sarcopenia.

O cronômetro trata ambos como iguais, mascarando o fato de que as intervenções clínicas para cada um deveriam ser diametralmente opostas.

2. Déficits cognitivos 

O TUG tradicional é realizado em um ambiente controlado e com foco total na tarefa motora. No entanto, a maioria das quedas no mundo real ocorre durante situações de dupla tarefa (ex: caminhar enquanto fala ao celular ou desvia de obstáculos).

  • O que o TUG não mostra: a capacidade de gerenciamento de recursos cognitivos. Um idoso pode ter um desempenho excelente no TUG simples, mas falhar catastroficamente ao ser solicitado a realizar um cálculo mental simultâneo (TUG Cognitivo), revelando um risco de queda que o teste padrão jamais detectaria.

3. Variabilidade e assimetria 

O tempo total é uma medida de velocidade, não de qualidade. O TUG convencional não fornece dados sobre a variabilidade entre um passo e outro ou a assimetria entre os membros inferiores.

  • O que o TUG não mostra: se o paciente possui uma discrepância de força ou coordenação entre os lados direito e esquerdo. Assimetrias sutis são preditores precoces de declínio neurológico e instabilidade, mas são diluídas na média do tempo total.

Limitações técnicas vs. Soluções clínicas

A tabela abaixo resume as lacunas do teste convencional e como a visão clínica avançada (e o uso de tecnologia) deve preenchê-las:

O que o TUG omiteImpacto no DiagnósticoComo suplementar
Origem da lentidãoNão separa fraqueza muscular de medo de cair.Análise de subfases (iTUG via smartphone).
Qualidade do GiroIgnora a instabilidade vestibular/angular.Observação da estratégia de giro (em bloco vs. fluido).
Reserva CognitivaNão prevê quedas em situações reais de distração.Aplicação do TUG Cognitivo ou TUG Manual.
Ambiente RealO teste é feito em piso plano e iluminado.Avaliação de barreiras arquitetônicas domiciliares.

Isso nos mostra que o teste Timed Up and Go deve ser encarado como um ponto de partida, não como o diagnóstico final. Para mitigar o risco de quedas com precisão, o profissional deve integrar a cronometragem a uma análise qualitativa rigorosa e, sempre que possível, à tecnologia de sensores inerciais. Somente ao enxergar o que o tempo não mostra é que podemos construir um plano de reabilitação verdadeiramente assertivo.

Veja também: Escala de Equilíbrio de Berg

Maximize a precisão do teste Timed Up and Go com a Kinology

Se o seu objetivo é dominar a predição de quedas e elevar o rigor do seu diagnóstico funcional, é fundamental transcender o uso do cronômetro manual. Enquanto o teste Timed Up and Go sinaliza o tempo total de execução, a Kinology entrega a biometria detalhada de cada fase do movimento, eliminando as lacunas da observação subjetiva.

Nossa tecnologia transforma o smartphone em um laboratório de análise biomecânica, oferecendo ao profissional do movimento:

  • Visão cinematográfica do risco: vá além do tempo total e analise a velocidade angular do giro e a potência de arranque no levantar. Identifique instabilidades sutis e padrões de compensação que o olho humano ignora, agindo precocemente na correção da marcha.
  • Autoridade baseada em dados: substitua as anotações manuais por relatórios digitais instantâneos. Quantifique a evolução clínica do seu paciente com métricas irrefutáveis de equilíbrio dinâmico, consolidando sua posição como uma referência em reabilitação baseada em evidências.
  • Personalização de protocolos: utilize a inteligência de dados para segmentar se a fragilidade do paciente é de origem neuromuscular ou vestibular. Com a Kinology, sua conduta deixa de ser generalista para se tornar uma prescrição de alta precisão, focada na verdadeira causa da insegurança funcional.

Não limite sua avaliação a um simples registro de segundos. Fundamente suas decisões em dados biométricos precisos e ofereça o padrão ouro em saúde do movimento.

Fale com um de nossos especialistas e descubra como a Kinology potencializa a autoridade do seu diagnóstico!

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