6 Pilares da Escala de Braden: o que profissionais do movimento precisam entender além do risco de úlcera

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Veja como dominar a Escala de Braden sob a ótica da reabilitação e mobilidade. Entenda como os 6 domínios (percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção) impactam o prognóstico motor, a prescrição de exercícios e a segurança do paciente em fisioterapia e terapia ocupacional.

A Escala de Braden, consolidada mundialmente por Barbara Braden e Nancy Bergstrom, transcende a função de um simples protocolo de triagem para se tornar um mapa de viabilidade biomecânica.

Embora sua aplicação seja rotineiramente associada à enfermagem para a prevenção de lesões por pressão, o instrumento é, na verdade, um termômetro crítico de prognóstico funcional para profissionais do movimento, especialmente em cenários de alta complexidade como a UTI, onde a restrição ao leito impõe desafios metabólicos e cinéticos severos.

Estruturada em seis pilares, a ferramenta decodifica variáveis intrínsecas e extrínsecas que determinam a tolerância dos tecidos moles à carga.

Para o especialista em reabilitação, seja na fisioterapia hospitalar, neurofuncional ou gerontologia, o domínio dessa escala é um pré-requisito para a prescrição segura de intervenções motoras.

Afinal, a integridade tegumentar e o equilíbrio nutricional formam o alicerce biológico indispensável para que o sistema musculoesquelético suporte o estresse fisiológico e a carga mecânica do exercício.

Neste guia técnico, aprofundaremos os princípios fisiopatológicos da Escala de Braden e sua aplicação clínica rigorosa. Detalharemos estratégias avançadas de validação, demonstrando como a interpretação correta desses índices é um pilar de autoridade clínica, essencial para mitigar riscos e elevar o padrão de excelência na assistência ao paciente crítico. Continue a leitura!

Embora a Escala de Braden estabeleça os limites de segurança tecidual, a mensuração da capacidade motora exige um olhar igualmente técnico e padronizado. Para integrar o risco de lesão à potência funcional, aprofunde seus conhecimentos sobre o padrão ouro da semiologia neuromuscular na Escala de Oxford (MRC).

6 pilares de risco avaliados pela Escala de Braden

A existência dos seis pilares na Escala de Braden não é aleatória; eles foram estruturados para decodificar a complexa etiopatogenia das lesões por pressão e funcionam como um algoritmo que cruza a exigência mecânica (intensidade e duração da pressão) com a capacidade biológica (tolerância dos tecidos). Veja, a seguir, quais são eles: 

1. Percepção sensorial e sensibilidade à dor

Este pilar quantifica a capacidade do paciente em reagir de forma significativa ao desconforto relacionado à pressão.

Para o profissional avaliador, um score reduzido nesta subescala é um marcador de déficit nos sistemas de feedback nociceptivo e proprioceptivo.

Em termos práticos, se o paciente possui baixa percepção, ele perde o alarme biológico que sinaliza a isquemia tecidual, transferindo ao profissional a responsabilidade de realizar inspeções visuais rigorosas e ajustes posturais frequentes, já que o relato verbal de dor deixa de ser um parâmetro confiável para a segurança do exercício.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Totalmente limitado: Não reage a estímulos dolorosos (por inconsciência ou sedação) ou tem limitação em quase toda a superfície corporal.
  • 2 – Muito limitado: Reage apenas a estímulos dolorosos. Não consegue comunicar o desconforto exceto por gemidos ou agitação.
  • 3 – Levemente limitado: Responde a comandos verbais, mas não consegue sentir ou comunicar dor em uma ou duas extremidades.
  • 4 – Nenhuma limitação: Responde a comandos verbais e não tem déficit sensorial que limite a capacidade de sentir ou expressar dor.

2. Umidade da pele

A subescala de umidade avalia o nível de exposição da derme a fluidos, como suor, urina ou exsudatos de feridas.

Para o profissional do movimento, a pele excessivamente úmida, tecnicamente referida como “molhada” na adaptação brasileira para maior precisão clínica, sofre um processo de maceração que altera sua complacência e resistência.

Esse estado aumenta o coeficiente de fricção e a irritação química, tornando o sistema tegumentar vulnerável a rupturas e dermatites que podem interromper o cronograma de reabilitação.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Completamente molhada: A pele é mantida úmida quase constantemente por urina, suor, etc. A umidade é detectada toda vez que o paciente é movido.
  • 2 – Muito úmida: A pele está frequentemente, mas nem sempre, úmida. A roupa de cama deve ser trocada pelo menos uma vez por turno.
  • 3 – Ocasionalmente úmida: A pele está ocasionalmente úmida, exigindo uma troca extra de roupa de cama aproximadamente uma vez por dia.
  • 4 – Raramente úmida: A pele está geralmente seca; a roupa de cama é trocada apenas nos intervalos de rotina.

3. Atividade do paciente

Diferente do controle motor fino, o domínio da atividade foca na frequência com que o paciente sai do leito ou deambula.

No planejamento motor, este índice serve para mapear o grau de confinamento e o risco de descondicionamento cardiovascular e muscular.

Pacientes com scores baixos em atividade exigem protocolos de verticalização progressiva e ortostatismo assistido, visando reverter o quadro de sedentarismo forçado que precede a falência funcional dos sistemas de suporte.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Acamado: Confinado ao leito.
  • 2 – Confinado à cadeira: Capacidade de andar severamente limitada ou inexistente. Não suporta o próprio peso e/ou deve ser auxiliado para sentar na cadeira ou cadeira de rodas.
  • 3 – Anda ocasionalmente: Anda ocasionalmente durante o dia, mas para distâncias muito curtas, com ou sem auxílio. Passa a maior parte do turno no leito ou na cadeira.
  • 4 – Anda frequentemente: Anda fora do quarto pelo menos duas vezes por dia e dentro do quarto pelo menos uma vez a cada duas horas durante as horas acordado.

4. Mobilidade e capacidade de locomoção

A mobilidade refere-se à capacidade intrínseca do indivíduo de realizar mudanças e controlar a posição do seu próprio corpo.

Para o especialista em reabilitação, este é o indicador mais sensível para o prognóstico motor:um score baixo aqui é um preditor direto de contraturas e anquiloses.

O foco da intervenção deve ser o restabelecimento da autonomia postural, transformando o movimento passivo em ativo-assistido para aliviar a carga sobre proeminências ósseas de forma independente.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Totalmente imóvel: Não faz nem mesmo pequenas mudanças na posição do corpo ou das extremidades sem ajuda.
  • 2 – Muito limitada: Faz mudanças ocasionais e leves na posição do corpo ou das extremidades, mas é incapaz de fazer mudanças frequentes ou significativas sozinho.
  • 3 – Levemente limitada: Faz mudanças frequentes, embora leves, na posição do corpo ou das extremidades sozinho.
  • 4 – Nenhuma limitação: Faz mudanças importantes e frequentes na posição sem ajuda.

5. Estado nutricional

A nutrição é o alicerce anabólico da Escala de Braden, refletindo o padrão de ingestão alimentar usual e a disponibilidade de substratos para o reparo tecidual.

Scores indicativos de má nutrição sinalizam um estado catabólico onde a síntese de colágeno e a hipertrofia muscular estão severamente comprometidas.

Sem o aporte proteico e calórico adequado, qualquer esforço cinesioterapêutico para ganho de força será ineficaz, pois o corpo prioriza funções vitais em detrimento da recuperação musculoesquelética.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Muito pobre: Nunca come uma refeição completa. Raramente come mais de 1/3 de qualquer alimento oferecido. Ingestão de fluidos é pobre.
  • 2 – Provavelmente inadequada: Raramente come uma refeição completa e geralmente come apenas cerca de metade de qualquer alimento oferecido.
  • 3 – Adequada: Come mais da metade da maioria das refeições. Recusa uma refeição ocasionalmente, mas geralmente toma um suplemento se oferecido.
  • 4 – Excelente: Come a maior parte de cada refeição. Nunca recusa uma refeição.

6. Pressão e cisalhamento (Fricção)

Este pilar avalia a biomecânica da interação entre o paciente e a superfície de suporte, medindo a capacidade de manter a pele livre de atrito durante o movimento. A pressão constante é o fator etiológico primário para a morte celular tecidual.

Quando combinada ao cisalhamento (deslizamento), ela causa deformações profundas nos tecidos moles e vasos sanguíneos. Para o profissional do movimento, este dado determina a técnica de transferência: pacientes de alto risco exigem manobras de elevação pura, eliminando o arrasto para preservar a interface entre a derme e a fáscia muscular.

Sugestão sobre como pontuar:

  • 1 – Problema: Requer assistência de moderada a máxima para ser movido. O levantamento completo sem arrastar nos lençóis é impossível. Frequentemente escorrega no leito ou na cadeira.
  • 2 – Problema potencial: Movimenta-se debilmente ou requer assistência mínima. Durante o movimento, a pele provavelmente desliza contra os lençóis ou cadeira. Mantém uma postura relativamente boa na cadeira ou no leito na maior parte do tempo.
  • 3 – Nenhum problema aparente: Movimenta-se no leito e na cadeira independentemente e tem força muscular suficiente para se levantar completamente durante a mudança de posição.

Leia mais sobre a prevenção e o manejo da lesão por pressão aqui

Como funciona a pontuação da Escala de Braden?

A Escala de Braden é estruturada de forma que cinco de seus pilares recebam pontuações de 1 a 4, enquanto o fator de fricção e cisalhamento varia de 1 a 3.

O score total, que oscila entre 6 e 23 pontos, funciona de forma inversamente proporcional: quanto menor a pontuação, maior o risco de colapso tecidual. Esta métrica permite ao profissional do movimento categorizar o paciente em níveis de risco, estabelecendo o “teto” de carga que o sistema tegumentar pode suportar antes de sofrer uma lesão. 

Imagine um paciente com o seguinte quadro:

  1. Percepção: 2 (Muito limitado)
  2. Umidade: 2 (Muito úmida)
  3. Atividade: 1 (Acamado)
  4. Mobilidade: 1 (Totalmente imóvel)
  5. Nutrição: 2 (Provavelmente inadequada)
  6. Fricção: 1 (Problema de arrasto)

Soma total = 9 pontos.

De acordo com a classificação padrão, os riscos são divididos em:

  • Risco severo (Score ≤ 11): Exige protocolos de proteção máxima e mobilização passiva.
  • Risco moderado (Score 12 a 14): Indica a necessidade de intervenções ativas assistidas para evitar o declínio funcional.
  • Risco brando (Score 15 a 16 ou até 18 em alguns contextos): Pacientes que exigem vigilância constante para que a reabilitação não ultrapasse a tolerância tecidual.

Então, o caso do paciente acima seria considerado como de risco severo.

Importante: embora o score 16 seja o padrão internacional clássico para definir o início do risco, estudos em ambientes de alta complexidade no Brasil sugerem que o score 13 possui um desempenho superior em termos de sensibilidade (94%) e especificidade (89%).

Utilizar o 13 como nota de corte permite identificar com maior precisão os pacientes que, devido a instabilidades clínicas severas, possuem uma tolerância tecidual reduzida. Para o especialista em reabilitação, esse ajuste fino no score é o que define se a conduta do dia será de manutenção e proteção ou de progressão para a cinesioterapia ativa de maior impacto.

A pontuação da Escala de Braden não é um dado estático, mas um registro longitudinal da evolução do paciente. Reavaliações periódicas (como a cada 48h) são indispensáveis, pois mudanças no quadro clínico, como uma melhora na mobilidade ou um declínio súbito no estado nutricional,  alteram imediatamente o score e, consequentemente, a segurança das intervenções motoras. 

Uma queda na pontuação serve como um sinal de alerta imediato: o corpo está perdendo sua capacidade de autorregulação e suporte, exigindo que o profissional do movimento priorize estratégias de alívio de pressão e preservação metabólica antes de qualquer ganho de força.

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